quinta-feira, 11 de outubro de 2007
"Pensa num rio, denso e magestoso, que corre por milhas entre robustos diques, e tu sabes onde está o rio, o dique, a terra firme. A certa altura, o rio, de cansaço, porque correu por demasiado tempo e demasiado espaço, porque se aproxima o mar, que anula em si todos os rios, já não sabe o que é. Torna-se o seu próprio delta. Permanece talvez um braço maior, mas muitos outros se ramificam, em todas as direcções, e alguns confluem uns nos outros, e já não sabem o que está na origem do que é, e por vezes não sabes o que ainda é rio e o que já é mar..." (Umberto Eco, O Nome da Rosa)
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
Percorro as ruas do Bairro Alto sobre uma ligeira tensão. Olho as pessoas que entre risos e bebedeiras fintam a noite que ainda é uma criança.
Esta é uma noite de muito movimento, as ruas estão cheias, mas há um olhar que não pára de me perseguir. Entranho-me na multidão, tento escapar daquele olhar, mas sinto que quanto mais tento fugir mais ele se aproxima.
Decido parar, beber mais um copo e tentar integrar-me na alegria que o meu grupo transporta. Entre as conversas e os risos, já um pouco exagerados, desvio o meu olhar para o olhar que me persegue. Desta troca gratuíta surgem-me mil ideias e o meu cérebro começa a trabalhar a cem à hora.
Que estou eu a fazer? Porque insisto em seguir o olhar que me segue? Porque imagino coisas que aquele olhar não diz?
Paro de beber, deixo o copo a meio e despeço-me dos meus amigos. Saio apressada do pé deles e desço a rua que me leva ao Metro.
Apanho o transporte e entro na última carruagem. Sento-me numa posição que me permita controlar o que se passa à minha volta...
Nuns bancos à frente do meu está sentado um rapaz com olhos esbugalhados. Um rapaz novo, de olhar distante, talvez pensativo e a acompanhar o seu olhar contemplativo estão os seus lábios cerrados com uma pressão que denota preocupação.
Olho fixamente para ele despertando a sua atenção que retribui o olhar intimidando-me. Desvio de imediato o olhar e ele percebe. Sinto que continua a olhar, mas perco a coragem de o voltar a fitar, no entanto tento de soslaio olha-lo novamente.
Os olhos deste rapaz acalmam-me, ao contrário do olhar que me seguia no Bairro Alto. talvez porque este era acompanhado de um ar preocupado enquanto que o que me seguiu durante a noite parecia procurar algo em mim e isso era atormentador.
Fixo os meus olhos no vidro da carruagem, percorro as linhas coloridas colocadas nas paredes do Metro. Desisto de olhar o rapaz que se senta nos bancos da frente. Estou à distância de duas paragens do meu destino e sinto uma vontade enorme de saír.
O rapaz sai na paragem seguinte e eu continuo até à próxima, contudo fico confusa. Não sei porque é que o olhar do Bairro Alto me deixou assim, nem porque é que decidi contemplar o olhar daquele rapaz que seguia o seu rumo até casa provavelmente.
Esta é uma noite de muito movimento, as ruas estão cheias, mas há um olhar que não pára de me perseguir. Entranho-me na multidão, tento escapar daquele olhar, mas sinto que quanto mais tento fugir mais ele se aproxima.
Decido parar, beber mais um copo e tentar integrar-me na alegria que o meu grupo transporta. Entre as conversas e os risos, já um pouco exagerados, desvio o meu olhar para o olhar que me persegue. Desta troca gratuíta surgem-me mil ideias e o meu cérebro começa a trabalhar a cem à hora.
Que estou eu a fazer? Porque insisto em seguir o olhar que me segue? Porque imagino coisas que aquele olhar não diz?
Paro de beber, deixo o copo a meio e despeço-me dos meus amigos. Saio apressada do pé deles e desço a rua que me leva ao Metro.
Apanho o transporte e entro na última carruagem. Sento-me numa posição que me permita controlar o que se passa à minha volta...
Nuns bancos à frente do meu está sentado um rapaz com olhos esbugalhados. Um rapaz novo, de olhar distante, talvez pensativo e a acompanhar o seu olhar contemplativo estão os seus lábios cerrados com uma pressão que denota preocupação.
Olho fixamente para ele despertando a sua atenção que retribui o olhar intimidando-me. Desvio de imediato o olhar e ele percebe. Sinto que continua a olhar, mas perco a coragem de o voltar a fitar, no entanto tento de soslaio olha-lo novamente.
Os olhos deste rapaz acalmam-me, ao contrário do olhar que me seguia no Bairro Alto. talvez porque este era acompanhado de um ar preocupado enquanto que o que me seguiu durante a noite parecia procurar algo em mim e isso era atormentador.
Fixo os meus olhos no vidro da carruagem, percorro as linhas coloridas colocadas nas paredes do Metro. Desisto de olhar o rapaz que se senta nos bancos da frente. Estou à distância de duas paragens do meu destino e sinto uma vontade enorme de saír.
O rapaz sai na paragem seguinte e eu continuo até à próxima, contudo fico confusa. Não sei porque é que o olhar do Bairro Alto me deixou assim, nem porque é que decidi contemplar o olhar daquele rapaz que seguia o seu rumo até casa provavelmente.
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